Capital do Amendoim

Cultura tradicional no Brasil, o amendoim já era produzido comercialmente desde 1950. A região de Jaboticabal despontava com o know-how de seus produtores, e as práticas agrícolas eram passadas de pai para filho.

Com o tempo, a soja e a cana-de-açúcar avançaram em área, e o amendoim perdeu espaço. A produção esteve em baixa na década de 1970 até meados da década de 1980.

Porém, um grupo de produtores, cooperados da Coplana – Cooperativa Agroindustrial, com áreas de produção em Jaboticabal e região, acreditavam na viabilidade do amendoim, pois conheciam a lida no campo e queriam resgatar a tradição familiar.

Avaliando as lavouras, estes produtores passaram a alimentar a esperança de que a rotação de culturas amendoim/cana-de-açúcar poderia se tornar um grande diferencial competitivo. A prática não era nova, mas existia somente em pequena escala. Aproveitando o quinto ou sexto corte para a reforma dos canaviais, em média 15% das áreas de cana poderiam ser utilizadas para o amendoim.

Produtores de pequena escala, que não tinham terras disponíveis para o plantio, poderiam arrendar áreas de usinas ou de outros proprietários, pagando pelo arrendamento com produto e conseguindo renda adicional. Este poderia ser um fator fundamental para a sustentabilidade do pequeno produtor. Seria possível produzir amendoim e cana nas mesmas áreas com benefícios agronômicos, além da geração de empregos e renda.

Os investimentos tecnológicos não pararam mais. Tinha início um novo movimento junto ao produtor para mecanizar o campo, o que era uma condição para o amendoim prosperar.

Em Jaboticabal, os investimentos na lavoura e na pós-colheita progrediram. Com ganhos em produtividade e em qualidade, o amendoim passou, num primeiro momento, a atender a indústria alimentícia nacional, substituindo as importações da Argentina. Em 2000, outro feito seria um divisor de águas para o País. O amendoim destes produtores cooperativistas abria o mercado brasileiro para o exterior, conquistando o status de altamente selecionado para atender a exigentes mercados como a União Europeia.

Com um consistente histórico no campo relacionado ao amendoim, Jaboticabal também é responsável por um importante evento científico nacional. A relevância da cultura e necessidade de levar aos produtores informações para avanços na produção têm sido as razões fundamentais para a realização do Encontro sobre a Cultura do Amendoim, promovido pela Unesp/FCAV. O evento conta com a presença dos principais pesquisadores do Brasil e exterior, técnicos, produtores e membros da cadeia produtiva e, neste ano de 2019, chega à sua 16a edição.

Em 2018, reconhecendo os esforços e pioneirismo destes produtores e o papel da cultura para a economia de Jaboticabal e região, o Governo do Estado de São Paulo concedeu à cidade o título de “Capital do Amendoim”, por meio da Lei n° 16.640 (de 5 de janeiro de 2018).

A notícia foi recebida com satisfação por produtores e membros da cadeia produtiva, que viram seus esforços reconhecidos. Prova dos investimentos de todo um setor na cultura do amendoim são os volumes que, na média dos últimos anos, mantêm um crescimento consistente.  Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam que em 2012, o Brasil produzia 256.600 toneladas do amendoim em casca. A safra 2017/2018 apresentou um volume bem mais significativo: 501.800 toneladas e, deste total, 477.700 mil foram produzidas no Estado.

Com 90% da produção nacional concentrada no Estado de São Paulo, o Brasil  ocupa a 5ª posição em exportação e o  13º lugar como produtor de amendoim no mundo, o que dá uma dimensão do espaço para o crescimento da cultura.